A maior fabricante de instrumentos musicais do mundo

A maior fabricante de instrumentos musicais do mundo


Piano Yamaha CFX: um dos favoritos dos grande pianistas

Piano Yamaha CFX: um dos favoritos dos grandes pianistas

A Yamaha Corporation, uma das empresas mais diversificadas do Japão, é a maior fabricante mundial de instrumentos musicais, incluindo pianos e teclados, instrumentos de sopro, cordas e percussão e instrumentos musicais digitais

Desde 1950 a empresa tornou-se também um grande produtor de produtos de áudio, semicondutores e outros produtos eletrônicos, móveis, artigos esportivos e metais especiais. A Yamaha também dirige escolas de música no Japão e outros 40 países, incluindo o Brasil, possui e opera uma série de resorts localizados em todo o Japão, e detém participação de 33% na Yamaha Motor Company, segundo maior produtor mundial de motocicletas e fabricante de veículos como barcos, motos, carros de golfe e outros, além de motores e robôs industriais. Quase três quartos das vendas líquidas da Yamaha Corporation são derivados de suas operações de instrumentos musicais e produtos de áudio.

 

Yamaha GS-1: primeiro instrumento com síntese FM

Yamaha GS-1: primeiro instrumento com síntese FM

Origens

A história do fundador da empresa reflete o entusiasmo do Japão no final do século 19 por novas tecnologias e a capacidade dos seus empresários de desenvolver produtos baseados nelas. Torakusu Yamaha recebeu uma educação incomum para a época de seu pai, samurai e agrimensor com amplos interesses em astronomia e mecânica e dono de uma notável biblioteca. A Restauração Meiji, um esforço subsidiado pelo governo japonês para acelerar o desenvolvimento tecnológico no final do século 19, colocou pessoas educadas como Yamaha em posição de capitalizar sobre o novo crescimento.

Aos 20 anos, em Nagasaki, Yamaha aprendeu a consertar relógios com um engenheiro britânico e formou sua própria relojoaria, mas foi incapaz de permanecer no negócio por causa da falta de dinheiro. Conseguiu então um emprego para reparação de equipamentos médicos em Osaka, depois de completar um estágio na primeira escola de medicina ocidental do Japão.

Em 1887, como parte de seu trabalho, Yamaha reparou um equipamento cirúrgico em Hamamatsu, uma pequena cidade pesqueira do Pacífico. Por causa do isolamento da área e a falta de profissionais habilitados, uma escola municipal lhe pediu para reparar seu premiado órgão Mason & Hamlin produzido nos Estados Unidos. Vendo o potencial comercial do instrumento no Japão, Yamaha produziu sua própria versão funcional do órgão dentro de um ano e, em seguida, criou um novo negócio, em Hamamatsu, para a fabricação de órgãos para escolas primárias japonesas.

Yamaha CP-70: piano elétrico que marcou época

Yamaha CP-70: piano elétrico que marcou época

Dois anos mais tarde, ele fundou a Yamaha Organ Manufacturing Company, primeira fabricante de instrumentos musicais ocidentais do Japão. Ao mesmo tempo, o governo concedeu o estatuto de município a Hamamatsu, provendo-a com serviço ferroviário a fim de que se tornasse um centro de comércio regional.

Tradições musicais ocidentais interessavam ao governo japonês, que fomentava e atendia o crescente entusiasmo por ideias ocidentais. Enquanto a educação técnica da Yamaha lhe permitiu fabricar um produto, o investimento público em infraestrutura tornou possível a ele  criar um negócio. A Yamaha Organ utilizava modernos métodos de produção em massa e, por volta de 1889, empregava 100 funcionários e produzia 250 órgãos anualmente. Em 1892, a empresa já exportava seus primeiros 78 órgãos para outros países da Ásia.

Durante a década de 1890, o piano vertical mais barato superou o harmônio em popularidade nos lares norte-americanos. Yamaha viu o potencial desse mercado e, em 1897, renomeou sua empresa para Nippon Gakki Co. – que significa, literalmente “Japão Instrumentos Musicais” – e abriu nova fábrica e sede no distrito Itaya-cho, em Hamamatsu. O governo do Japão não apenas apoiava a industrialização, mas encorajva as empresas iniciantes a entrarem em contato diretamente com os mercados no exterior.

Yamaha CS-80

Yamaha CS-80: primeiro sintetizador de sucesso

A expansão para a fabricação de pianos requeria mais pesquisa, de modo que o Ministério da Educação japonês patrocinou uma excursão de Yamaha aos Estados Unidos, em 1899. A finalidade era estudar a fabricação de pianos e estabelecer fornecedores para os materiais necessários para a produção de pianos no Japão. Em um ano, Nippon Gakki produziu o seu primeiro piano. As encomendas governamentais e institucionais foram as primeiras a serem atendidas, incluindo alguns instrumentos para o Ministério da Educação. Em 1902, com materiais dos Estados Unidos e tecnologia alemã, a Nippon Gakki introduziu seu primeiro piano de cauda. Em 1903, a empresa produziu 21 pianos.

A Nippon Gakki apresentou seus novos pianos em algumas exposições internacionais e, entre 1902 e 1920, recebeu diversos prêmios por seus pianos e órgãos que nunca antes haviam sido concedidos a um fabricante japonês como, por exemplo, um Grand Prix na Exposição Mundial de St. Louis, em 1904.

A Primeira Guerra Mundial reduziu as vendas de gaitas alemãs no Japão e a Nippon Gakki aproveitou a oportunidade para ampliar sua base de produtos, começando a produzir e exportar gaitas. Produzir novos produtos que exigissem as mesmas matérias-primas e técnicas de fabricação tornou-se um princípio de funcionamento importante para a Nippon Gakki.

Yamaha morreu repentinamente durante a guerra. Ele teve sucesso em introduzir instrumentos e técnicas ocidentais no Japão, mas, apesar de suas linhas de montagem, a fabricação de pianos ainda era artesanal no momento da sua morte. O vice-presidente Chiyomaru Amano assumiu a presidência em 1917. Seus contatos políticos tinham ajudado a empresa a se expandir.

A Primeira Guerra Mundial produziu enorme crescimento na indústria japonesa e a Nippon Gakki cresceu com isso, suprindo os mercados asiáticos que tiveram cortadas suas fontes tradicionais de abastecimento. Em 1920, a empresa empregava 1.000 trabalhadores e produziu 10.000 órgãos e 1.200 pianos por ano. Os recordes de venda alcançados durante a guerra continuaram depois, apesar da recessão. Estes ganhos foram, em grande parte, graças às vendas de piano que duplicaram para ¥ 2 milhões entre 1919 e 1921.

Yamaha V-50: primeiro workstation da marca

Yamaha V-50: primeiro workstation da marca

Os cinco anos seguintes quase colocaram a empresa em falência. A valorização do iene, que tornou os produtos Nippon Gakki menos competitivos no exterior, era parte do problema. Em 1922, um incêndio destruiu a nova fábrica em Nakazawa e a principal planta em Hamamatsu. No ano seguinte, o Grande Terremoto de Kanto destruiu o escritório de Tóquio e plantas da empresa foram novamente danificadas. Antes de a empresa se recuperar, sindicatos de trabalhadores entraram em greve após Amano se recusar a negociar. Amano cedeu às exigências dos trabalhadores 105 dias mais tarde, depois que as reservas da empresa foram esgotadas.

A pedido dos outros diretores, o membro do conselho Kaichi Kawakami assumiu a presidência em 1927, cortando custos de produção e reorganizando a empresa. Metade de todas as dívidas foram pagas no prazo de 18 meses.

Yamaha PSR-S950: topo de linha em arranjador

Yamaha PSR-S950: topo de linha em arranjador

Entre as duas guerras mundiais, as importações ainda dominavam as vendas japonesas de instrumentos ocidentais. Percebendo que a vantagem competitiva da Nippon Gakki estava somente no preço, Kawakami abriu um laboratório de acústica e um centro de pesquisas, em 1930, e contratou consultores da C. Bechstein, da Alemanha, para melhorar a qualidade do piano Yamaha. O crescimento da rede pública de ensino da década expandiu o mercado de instrumentos ocidentais e a Nippon Gakki introduziu acordeões e guitarras com preços mais baixos para capitalizar sobre a expansão.

Quando a Segunda Guerra Mundial começou, as plantas Nippon Gakki passaram a produzir hélices para aviões de combate Zero, tanques de combustível e partes das asas. Tal como aconteceu com a expansão durante a Primeira Guerra Mundial, esses itens lançaram as bases para uma maior diversificação nos anos do pós-guerra. Enquanto isso, a Nippon Gakki interrompeu a fabricação de instrumentos musicais em 1945.

Apenas uma fábrica Nippon Gakki sobreviveu aos bombardeios norte-americanos dos tempos de guerra. A assistência financeira dos Estados Unidos do pós-guerra tornou possível a produção de gaitas e xilofones apenas dois meses após a recepção dos fundos. Em seis meses, a Nippon Gakki já produzia órgãos, acordeões, instrumentos de sopro e guitarras. Após as potências aliadas aprovarem o comércio civil, em 1947, a empresa começou, mais uma vez a exportar gaitas.

A Nippon Gakki tinha experiência com peças de aeronaves de madeira, mas a atividade em tempos de guerra expôs a empresa a novas tecnologias. Em 1947, a Nippon Gakki pode lançar suas próprias chapas de metal para piano e produziu os seus primeiros instrumentos em três anos. A empresa também produziu o seu primeiro componente de áudio – um fonógrafo – em 1947. Diversificando as atividades e incluindo mais produtos em seu portfólio, como motocicletas e lanchas, a Yamaha atravessou mais de meio século dedicando-se a instrumentos musicais acústicos, até que a substituição de válvulas por transistores e dos transistores por circuitos integrados fez que a empresa desse um novo salto.

 

Era eletrônica

Como nenhum fabricante iria desenvolver circuitos integrados para a demanda relativamente limitada da Nippon Gakki, a empresa construiu uma fábrica, em 1971, para desenvolver os seus próprios componentes. Ao desenvolver essa tecnologia mais cedo, a Nippon Gakki estabeleceu-se como uma empresa de produtos eletrônicos séria, capaz de atender a demanda crescente por teclados eletrônicos e componentes de áudio.

A década de 1980 foi difícil para a empresa. Embora tenha havido sucessos notáveis, a Nippon Gakki foi gravemente mal administrada. O primeiro grande erro da empresa veio de sua afiliada, a Yamaha Motor, que, em 1981, imprudentemente tentou derrubar a Honda de sua posição de líder em venda de motocicletas. A Yamaha introduziu novos modelos e aumentou a produção. Quando a Honda e outros fabricantes de motocicletas fizeram o mesmo, a indústria enfrentou superprodução. Como resultado a Yamaha Motor acumulou dois déficits consecutivos, totalizando US $ 126,1 milhões. A relativamente pequena fabricante de motos, ficou com um inventário de um milhão de motocicletas e dívidas que se aproximaram de $ 1 bilhão. Além disso, a concorrência de preços entre os fabricantes de motocicletas japonesas motivou a Harley Davidson a solicitar tarifas sobre as importações, sacrificando a Yamaha, que não possuía nenhuma fábrica nos Estados Unidos. Nippon Gakki permaneceu rentável, uma vez que detinha apenas 39,1 por cento da Yamaha Motor (posteriormente reduzida para 33 por cento), mas a derrocada danificou a reputação e a posição da companhia.

Yamaha DX-7: o sintetizador mais vendido de todos os tempos

Yamaha DX-7: o sintetizador mais vendido de todos os tempos

Em contrapartida, sintetizadores e sistemas integrados trouxeram o sucesso à empresa, no início da década. A pesquisa e o desenvolvimento da eletrônica valeram a pena com o lançamento, em 1983, do sintetizador digital DX-7, que passou a se tornar o mais vendido de todos os tempos e marcou a história da música com sua sonoridade característica. Com um portfólio enorme de instrumentos musicais de teclas, a Yamaha alcançou a posição de líder no segmento, oferecendo ao público alguns dos mais renomados modelos entre pianos de cauda e verticais, com tecnologias inovadoras como a Disklavier. Além disso, inovou ao produzir modelos eletroacústicos, como o CP-70 e o CP-80, e o primeiro instrumento a utilizar a síntese FM, o piano GS1 de 1980, precursor das Clavinovas e dos pianos digitais portáteis.

O primeiro órgão eletrônico da empresa foi o D-1, fabricado de 1959 a 1962, que inaugurou a tradição da Yamaha também nesse tipo de instrumento, principalmente com a série Electone. O primeiro sintetizador de sucesso foi o CS-80, seguido do GX-1, de 1973 – o primeiro sintetizador polifônico da marca –  e da linha DX. As workstations surgiram a partir do modelo V-50, sucessor do DX11, e da linha SY. Mas a grande divulgadora da marca, principalmente no Brasil, talvez tenha sido a linha de arranjadores, com os modelos PSR e Tyros, que completam o portfólio de produtos da empresa ao lado de controladores, sequenciadores, baterias eletrônicas, processadores de efeitos, samplers, módulos de som, keytars, gravadores e teclados portáteis.

Veja o vídeo e conheça um pouco mais sobre sintetizadores Yamaha:

 

 

 

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