Synclavier – Digital Control Unit

Synclavier – Digital Control Unit


Se há uma unanimidade entre os tecladistas, é o fato de que trabalhar com produção musical envolve uma quantidade razoável de investimentos. Os teclados são, em geral, caros e, em muitos casos, ficam obsoletos rapidamente. Desde a década de 1980 muitos tentam acertar na loteria com um único objetivo: poder comprar um Synclavier, o workstation de meio milhão de dólares

No início do século 20, quando foram inventados os primeiros instrumentos eletrônicos – precursores dos sintetizadores modernos -, eles eram enormes, caros, complicados e delicados. Por tudo isso, pelo menos do ponto de vista comercial, o negócio não deu muito certo. Mas foram as primeiras sementes de um instrumento que revolucionaria a música. Na década de 1960, o aparecimento dos transístores permitiu o desenvolvimento de sintetizadores infinitamente mais leves e compactos, o que finalmente possibilitou a produção em série e a comercialização em massa a preços muito mais acessíveis. Uma nova concepção de instrumento musical imediatamente conquistou vários artistas  dispostos a fazer uso da tecnologia para revolucionar a música.

 

 

Amado por muitos e odiado por tantos outros, como toda novidade impactante, os sintetizadores se multiplicaram e se popularizaram durante as décadas de 1970 e 1980. No início dos anos 80, os sintetizadores eram uma ferramenta quase fundamental na produção de álbuns de pop e rock, e de trilhas para cinema. Naquele tempo, já era possível encontrar nas lojas sintetizadores para todos os tipos de gostos e bolsos. Mas havia alguns modelos mais sofisticados e mais caros, que ainda continuavam distantes do grande público e só podiam ser encontrados em grandes estúdios. Dentre eles, o mais caro e almejado de todos foi, sem dúvida, o poderoso Synclavier, o Rolls- Royce dos teclados vintage, que valia em torno de US$250,000.00, podendo chegar a US$500,000.00 com todas as expansões. Isso fez do Synclavier o nome mais imponente do universo dos teclados. E até hoje o equipamento  ontinua sendo um mito.

Além de ter sido o primeiro sintetizador completamente digital (síntese FM), possuía sistema de amostragem (digital sampling system) e sequenciador. Pode ser considerado a primeira DAW (Digital  Audio Workstation) de verdade, um sistema integrado completo de ferramentas de produção de áudio.

1984_ned_synclavierO sistema Synclavier típico consiste de um teclado de 76 notas conectado a um painel com 132 botões iluminados e uma grande roda de controle prateada, ligado a uma poderosa CPU montada em um rack, com dois ou três ventiladores que fazem um grande ruído, rodando um sistema operacional próprio (NED) de 16 bits. Em meados dos anos 80, ganhou um monitor de vídeo monocromático e um teclado de computador. Os patches, arquivos de som, sequências e amostras eram armazenados em disquetes de 5 ¼’ ou em discos rígidos.

A concepção e o desenvolvimento do protótipo do Synclavier inicial ocorreu no Dartmouth College, em 1975, com a colaboração do professor de eletrônica digital Jon Appleton, de Sydney A. Alonso e de Cameron Jones, um programador de software e estudante de engenharia. Em 1978, foi lançado o Synclavier 1, produzido pela New England Digital, que continuaria fabricando novos modelos até 1992. O Synclavier 1 era apenas um módulo de som (sem teclas) baseado na síntese FM, somente programável por meio do computador fornecido com o sistema. No ano seguinte, a versão 1 foi substituída pelo Synclavier II, com teclado de madeira integrado, um sintetizador aditivo híbrido FM com memória, sistema de amostragem e um sequenciador digital de 32 pistas, se tornando o primeiro dispositivo musical capaz de desempenhar a função de “estúdio sem fita”.

 

“Beat It”

Se fosse para escolher o som mais notório do Synclavier na música pop, o escolhido seria o da introdução de “Beat It”, de Michael Jackson. Em 1982, para produzir o álbum Thriller, o genial Quincy  Jones empregou uma equipe dos sonhos de tecladistas e programadores de sintetizadores, incluindo pesos pesados como Greg Phillinganes, Steve Porcaro, Michael Boddicker e Tom Bahler. Mas aquele som fantástico e profundo de sino ou gongo sintético na introdução de “Beat It” foi uma cortesia direta do Synclavier II. Tom Bahler tinha ouvido um LP demo com faixas com sons de demonstração dos patches de fábrica do Synclavier II, chamado The Incredible Sounds of Synclavier II, publicado pela primeira vez em 1981 e vendidos pela New England Digital, a fabricante do Synclavier. Um desses timbres chamou a atenção do sintetista, que teve apenas o bom gosto de aplicá-lo exatamente no lugar certo, no momento certo, e da maneira correta. Simplesmente tocando aquela famosa sequência de sete semibreves (G G E E G G D) com um dos patches nativos do Synclavier II, entrou definitivamente para história da produção musical. Se você possui ou pretende comprar este synth hoje (com os patches originais), você vai encontrar esse som no banco de memória, exatamente como ele soa na gravação. Depois de Thriller, o Synclavier foi amplamente usado por Michael Jackson em seus álbuns e turnês, em que era programado e interpretado por Christopher Currell. (Jobert Gaigher)

 

 

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