Fabio Torres: improvisação à brasileira

Fabio Torres: improvisação à brasileira


trio-corrente-2Formado pelo pianista Fábio Torres, pelo baixista Paulo Paulelli e pelo baterista Edu Ribeiro, o Trio Corrente honra a linhagem já tradicional do samba-jazz na música brasileira. Com uma carreira de mais de 12 anos, o trio pode ser  definido como um encontro feliz de três músicos que pensam e sentem a música da mesma maneira e reúne mundos aparentemente contraditórios como a síntese e a concisão da canção brasileira com a prolixidade benigna do jazz e do choro. Depois de ter conquistado dois Grammys no ano de 2014 – Melhor Álbum de Jazz Latino e Melhor Álbum Latino de Jazz -, o desafio de gravar um novo trabalho se impôs e o Trio Corrente – Volume 3 foi lançado com shows por várias capitais brasileiras.

Conversamos com o pianista Fabio Torres sobre esse novo trabalho e sua carreira, desde os estudos de piano erudito à formação do trio, e fomos presenteados por uma aula de como deve ser uma gravação.


Como é gravar um novo álbum depois de ganhar um Grammy?
Gravar é algo que dá muito prazer, independentemente de qualquer coisa. Toda vez que chego do estúdio com algum material gravado, fico ouvindo por horas, porque depois vamos mixar aquilo. É um prazer em si: a gravação, a mixagem, ver aquele trabalho sendo registrado daquela maneira…Tudo que vai acontecer depois está dentro do imponderável. Sempre penso assim: a gente faz música, que é uma coisa etérea, como é que se vai precificar? Quando se grava um CD, o que vai acontecer com aquilo? Quantas pessoas vão ouvir? Tudo isso vem à mente quando gravo. Quando acontece algo como o Song for Maura, que a gente gravou com o Paquito D’Rivera, e, de repente, ganhou dois Grammys – o americano e o latino – você fala: essa recompensa pode surgir e isso faz diferença no número de pessoas que vão ouvir o seu trabalho. E isso é bom.

O Trio Corrente foge dos standards e busca composições menos conhecidas, apesar de terem gravado “Maracangalha” e “Mambembe”. A ideia é sempre fugir dos standards e procurar uma linguagem mais brasileira?

O trio não segue a seta, como diria Tom Jobim. Claro que gravamos “Garota de Ipanema” e, agora, “Maracangalha”. Mas, qual a relação? Quando gravamos um tema muito conhecido, geralmente o arranjo vai ser musicalmente mais ousado. Ou a gente grava um tema Lado B, menos conhecido, como é o caso de “Red Blouse”, do Tom Jobim. Sempre gostei de tocar músicas de um repertório menos conhecido. E no Trio Corrente isso também existe. Por que não tocamos standards americanos? Porque esse é um território superexplorado pelos músicos. Já se gravou muito. Neste CD, tocamos um tema de Bud Powell, “Celia”, mas é uma exceção. É muito difícil abordarmos o repertório de jazz americano simplesmente porque a gente nasceu aqui e isso tem significado. Meu primeiro trabalho foi com a Amelinha, aquela cantora nordestina. Quando eu tinha 18 anos de idade, fui para o Nordeste tocando, no teclado, frevos, forrós etc. Então, vivemos o ritmo brasileiro. Ele está muito perto da gente. É algo natural. Embora, é claro, quando a gente vai fazer um show com o Paquito, há horas em que a gente toca um standard. É normal e a gente tem que estar preparado para isso. Mas, na hora de escolher o nosso repertório, ele é brasileiro. Com certeza, o Trio Corrente é um trio de jazz brasileiro.

Como o Trio Corrente funciona em termos de arranjo e em termos de escolha de repertório? 

O Trio Corrente é um grupo bem democrático. Raramente um “apita” no som do outro. Isso é muito raro. Pode acontecer, por exemplo, de a gente estar tocando ao vivo, improvisando, e o Edu fazer uma coisa que não fique bem clara para mim ou o Paulelli dar uma quebrada…Mas a gente nunca vai chegar e falar “por favor, não faça isso, porque me atrapalhou!”. Não! Vamos nos adaptando, um vai escutando o outro.

Leia a entrevista na íntegra nas páginas da revista digital gratuita Teclas & Afins. Acesse: www.teclaseafins.com.br.

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